Cabo Verde. Falha nos travões foi a causa de despiste de autocarro
Um sobreaquecimento dos travões esteve na origem do despiste de um autocarro por uma encosta na ilha do Fogo, Cabo Verde, que matou 25 pessoas, em setembro, anunciou hoje a comissão de inquérito criada pelo Governo.
"A causa direta e determinante identificada pela comissão é a perda total de eficácia de travagem por fadiga térmica severa", referiu Emanuel Almeida, diretor-geral dos Transportes Rodoviários em Cabo Verde.
O acidente causou ainda 13 feridos e foi uma das maiores tragédias rodoviárias do arquipélago.
Outros fatores "agravaram a margem de segurança", referiu aquele responsável.
Havia um "desgaste severo do sistema de travagem, com soldaduras e adições metálicas artesanais", disse.
O autocarro estava sobrelotado, com 38 passageiros, a maioria jovens estudantes, mas só tinha 30 lugares homologados.
A descida entre Piorno e Campanas de Cima é prolongada e acentuada, com um declive de 19%, em que os travões foram muito solicitados e sem barreiras de proteção ou sinalização reforçada.
Segundo Emanuel Almeida, é "um cenário de alto risco".
"É uma via de elevada exigência, exige proteção, compatível também com o risco", nomeadamente ao nível de "barreiras metálicas, muros ou outros sistemas de contenção passiva", disse.
A última inspeção técnica do veículo estava caducada há seis meses.
O Governo já recebeu o relatório que sugere a criação de um plano nacional de resposta para prevenir problemas em pontos de maior risco, a par de um reforço da fiscalização e inspeção de veículos, com criação de mecanismos interinstitucionais de acompanhamento.
A criação de rampas de escape e zonas de arrefecimento de travões, instalação de barreiras de proteção, sinalização reforçada e maior formação de condutores são algumas sugestões práticas.
O relatório "já foi entregue ao Governo, já o analisou em Conselho de Ministros, agora poderá dar outros passos", disse.
"Devemos transformar esta tragédia em mudança", referiu Emanuel Almeida.
"Poderá haver outras diligências, mas deixamos isto para as instituições judiciais e policiais", acrescentou.
O autocarro continua no local, decorrendo diligências entre as autoridades para a sua retirada, acrescentou o diretor-geral de Transportes Rodoviários.
O acidente aconteceu a 05 de setembro, durante um passeio com jovens estudantes e outros passageiros da ilha do Fogo. O autocarro saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros.
A comunidade tem beneficiado de apoio psicológico, inclusivamente no meio escolar, entre outras medidas de apoio.